Especialmente para Grazi: texto digitado)
Já havia escrito isso em algum lugar nesse processo. Agora estou aqui para clarear mais algumas duas ou três coisas. De repente, a insistência de palavras e termos estará aqui como lugar de persistir, insistir, massificar a reflexão em torno do tema!
A palavra “comprar” escrita acima, no título desta escrita, significa assumir, comprar briga, lutar por... Talvez estejamos cheios disso na vida; na correria cotidiana de sobreviver: é a roupa que usamos a cada dia, a escolha dessa roupa; a reunião prestes a acontecer, mas que precisaremos, de repente, faltar e faltar e faltar, pra depois reparar...
...Todas essas questões-ações (faltar, perder, correr atrás de, escolher, reparar) estão imbricadas pelo desejo, pelo querer, pelo sonho, pela organização social que nos encontramos, bem como, perspectiva de vida que queremos... É ou não é? Sim ou Não? Por favor, respondam, pensem, reflitamos!
Isso foi só um prelúdio, mas a partir dele trago um recheio para engrossar esse caldo reflexivo de viver, ser, estar, atuar, to be, “le it be” : O afeto! A necessidade de afetar-se, de ser impregnado por algo, por alguma coisa...
(fim da 1ª página)
É ness(c)ec(ss)idade urgente que está também-urgente a necessidade de se ampliar, massificar, potencializar a reflexão de Hessel que culmina ao grito ”Indignai-vos”: “ ...eu desejo a todos, a cada um de vocês, que tenham seu motivo de indignação. Isto é precioso. Quando alguma coisa nos indigna, como fiquei indignado com o nazismo...”
Hessel certamente nutria em seu lugar, cantinho dos sentimentos, que muitos chamam de coração, o afeto. Não se pode indignar-se se o corpo não conhece ou reconhece o lugar de olhar o outro, perceber suas especificidades, suas fragilidades; olhar a coisa sensivelmente, seja lá o que seja a coisa: o alfinete para marcar o ajuste do vestido da noiva; o idoso que tem seu tempo para entrar num ônibus coletivo numa capital como Salvador...
Indignar-se contra o nazismo, antes de uma ação ou posicionamento político é uma ação humana, leia-se, vidas e milhares de vidas inocentes lançadas escatologicamente numa vala e tudo o mais que tantos filmes já representaram, lembremo-nos, ilustraram, porque a verdade é/foi muito mais cruel, simplesmente (e não tão simples assim) porque foi real, irreparável e tudo a (fim da pág. 2) mais que a história desvela...
... Indignar-se² também contra a impaciência daqueles’e que não consegue’m esperar esperar o tempo de um homem, cuja idade o fragiliza, impossibilitando-o de um vigor de um como de um jovem de dezesseis anos a entrar ou saltar para dentro de um ônibus em movimento.
...Já disse o cantador: “temos nosso próprio tempo” (e aqui está implícito |tolerância|) Esse verso já nos serve bastante para refletir esse exemplo do homem velho ao homem novo utilizando um transporte coletivo e público, e nisso há/está o afeto. Se há intolerância, então desafeto!
Afeto é mobilização (integração/ fraternidade). É a possibilidade de estar atento ao outro, de olhar nos olhos, de “comprar a briga” em prol de... É também indignar-se com o comentário injusto do jovem ao velho (idoso, melhor idade, senhor...): “o que esses velhos tanto fazem na rua, ... porque pegam tantos ônibus?” (É preciso olhá-lo nos olhos com ênfase de indignação, e que ele (o jovem), o entenda! Proteste!!!
Infelizmente vivemos o tempo do medo, do pessimismo, do acomodar-se diante de. A sugestão é simples: “nem tanto, nem tão pouco”. Significa dizer: protestar, mas não é “sair na mão” com o cara que ofende o velhinho (carinhosamente falando), mas lembrá-lo de (fim da 3ª pág.) que talvez seja velho também, poderá envelhecer...
É nesse caos que as coisas vão permanecer, e se ampliar, afinal somos sete bilhões... Pelo menos por enquanto, estamos caos-cificando ‘entorno’, como já dissera noutra escrita, em cima da carniça estabelecida e ela é “real e física”.
Tivemos ontem, 20.10.11, mais um dia incomum, porque se tornou histórico, dentro dos engendramentos da historicidade social e humana de contexto mundial: Kadarf, o então supremo da Líbia, foi, enfim, capturado, depois de meses de uma guerra, em que muitos civis inocentes, sobretudo, morreram a favor do fim de uma quase soberana ditadura de trinta e tantos anos.
A ditadura é, sobretudo, um lugar de poder e hierarquia, quase que obsceno, vulgar, e por demasiado medíocre, porque abomina e distancia toda possibilidade do afeto altruísta, do interesse compartilhado de crescimento social, político, intelectual, financeiro...
Kadarf foi derrotado! O povo entendeu sua necessidade de outra organização política a favor de seu país, de seus filhos, de sua sociedade. Foi a força de/da multidão! Agora é preciso prosseguir-potencializar-investir numa organização política em que vigore-se e aconteçam os desejos do povo, da sociedade civil. Que Governo-Estado-Nação dialoguem com o Povo-Poder-Massa-Multidão e que essas vozes sejam imbricadas em prol do bem-viver comum, aí sim, soberanamente humanitário...
A força d’multidão chocou Kadarf e seus aliados, aliás, uma corja, uma facção de escarnecedores in-civis. Era uma pequena multidão, e, de repente, eram bilhões pelo mundo...
O afeto era ver uma sociedade livre de uma política mesquinha/covarde e, ora, inútil. A ação de corporação, de massa, integração-união, foram as matrizes para a solução desse momento político, e, que bom, com o sucesso que foi a vitória da multidão!
Pleonasticamente³ é preciso indignar-se! Façamos! Façamos! Façamos! Protestemos contra a política da corrupção, ela é poderosa; briguemos/insistamos contra o enriquecimento ilícito; da política enquanto dinheiro fácil/emprego fácil, regalias na justiça, privilégios. ET Cetera... (fim da 4ª pág.)
É preciso acordar todos os dias e desejar vencer nossos cânceres encarnados/alojados no corpo, como os sociológicos, culturais, filosóficos, humanos! Então, que os cientistas se debrucem em/nos estudos a fim de ajudar a humanidade, e ele é humanidade, portanto, ajudar-se! E assim seja aos demais lugares do conhecimento e sua produção! Amém!!!
O artigo 22 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, citado por Hessel em “Indignai-vos”, ilustra a violência de kadarf (e outros como ele) ao Ser Humano. Por outro lado, ilustra (com ideia de tradução) também a grande luta cooperativa de cientistas pelo mundo juntos para eliminar o câncer do corpo, da vida humana... (p.s.: diz-se que está piegas falar de Ser Humano)
Necessitamos de vida e vida abundantemente. Isso nos parece, ou pelo menos me parece, uma utopia. (Li num livro). É preciso viver para amenizar utopias, para afetar-se.
Essa é uma verdade que precisa perpetuar: afetar-se representa abandonar, no sentido de lutar (“trinar” de protesto) contra o que é injusto; desprezar ações e ‘pensares’ egoístas; é vibrar pela ‘vibe’ de um altruísmo, que ora, deveria ser inerente à espécie humana, como aves que se aglomeram para voarem juntas e assim vencerem o vento, bem como, manterem o norte (de seus rumos).
Nosso norte alguém ainda sabe o que é? Para os cristãos, o paraíso; para os ateus; provar a inexistência de Deus. E o que mais? Escapara da barbárie humana? Provocar mais átimos de solidariedade e esperança pelo mundo, para-além das filantropias e ‘merchandaising’? É preciso esperança!
Esperançar-se é crer, alimentar-se da revolução sem sangue desperdiçado. Esperança do real cenário social (fim da pág.5) transformado em paraíso (refletindo aqui a partir do cristianismo, ou ideias e desejos cristãos, ou provindos do tal do Cristo. Leia-se paraíso como, de repente, entre tantas leituras: liberdade, igualdade, fraternidade – a grande utopia da França, dos franceses e do Mundo).
(...) É verdade, o fim de Hessel está próximo, afinal já se passaram noventa e três anos, até então. Mas o meu fim ainda não, pelo menos é o que desejo! E mesmo assim, sem Hessel, sem mim, ainda seremos-somos bilhõess: multidão: cooperação...
Podemos fazer esses desejos emergirem como armas pacíficas pela revolução, revolução do afeto pela vida; pelo direito humano e inexorável de vidas e vivências sadias. Alguns já começaram... Piegas é não pensar a vida desejando caminhos melhores e mais felizes.
Hessel e muitos de nós, talvez e/ou certamente não veremos o total dessa revolução, o alvo abatido, no entanto, Hessel já imensamente colaborou pelo processo, esse processo: viu guerras, lutou contra elas; escreveu e testemunhou vários capítulos desse novo momento que explodirá em brados: indignai-vos! Hessel tranquilamente já se pode ir (rir) da vida feliz, despedir-se; fez tudo = cooperou pela mudança = fez acontecer = mudou. |A multidão que havia em Si, não se esgotou!|
Estamos nós/ não estamos sós, a mesa está posta, “a faca e o queijo na mão”: indignai-vos! (é preciso gastar esse brado como se grita/comemora o gol do time que se torce. Esta é a ordem, e poderia ser a “nova ordem mundial”. Desejar, mudar por novas/outras condutas e comportamentos éticos, que, a propósito, não é tão fácil, e é/deve ser treinado, mesmo que difícil: “arriscar é preciso”, está dito!
Ainda nos falta dispo- (fim da pág. 6) sição/prontidão! Parece-me que, por enquanto, os interesses não são esses, e se são, estão tímidos, arraigados pelo medo, pelo pavor, pela urgência-emergência de sobreviver diante do caos cotidiano-costumizado. |Precisamos cessar com essa timidez.|
Ainda² não nos atentamos, estamos como num sonho (pesadelo), um momento de ebriadez dos auto-controles da consciência, absortos-presos ao inconsciente: precisamos acordar, assustar o pesadelo: administrá-lo, lutar, reagir, (talvez desistir seja péssima escolha, neste caso), e, neste caso², acordar pode ser o livramento de uma escravidão (dessa escravidão). Então, sugiro essa metáfora: estamos num sonho/pesadelo, só precisamos reagir, e |acordar é o começo!|
Estamos vilipendiando a vida. Ainda não temos tempo, ou simplesmente, coisas e coisas não nos afetam mais, outras nos sufocam tanto. Estamos calejados, viciados, mal acostumados, e isso é péssimo, é destrutivo, é derrotismo...
Precisamos correr antes que a vida acabe! Aliás, me parece que estamos na alusão de que do nada, ou com o tempo, essas nossas más-coisas acabarão. Porém, acredito que não! Os traumas, as doenças, nossas enfermidades poderão acabar sim, dizem que até seria bom que acabasse assim, do nada, não será assim, eu acho. Seria muita imprudência de quem governa isso tudo. Precisamos lutar, mas não da forma como temos relutado (através da omissão).
Do jeito que estamos nos ajudadamente levando todos esses trânsitos, fluxos, bifurcações e entroncamentos de vida, do jeito que estamos levando, não demorará, daremos tudo a perder (tudo de bom-melhor que já conquistamos), pode-se ver. Basta olhar!
Jean Therese.
Lindo, Jean! Obrigada por falar sem temer, sem timidez a sua indignação!! Lindo por que a beleza também nos afeta e pode ser um meio maravilhoso de transformação, de rebeldia. Essa é também a minha utopia!!!
ResponderExcluirBeijossssssssssssssssssssssssssss.................
Sinto-me, realmente, feliz pelo texto digitado. E mais feliz ainda por saber que és um artista de multidão. Artista este que se interessa pelas questões políticas, econômicas, sociais, etc. Artista que tem seu fazer instigante e admirável. Artista que não se omite diante das injustiças presentes nas sociedades humanas. Artista que revela, com coragem, suas posturas críticas com criatividade e sultileza.
ResponderExcluirBeijos carinhosos..