sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ato sem palavras... continuação...


...

Trinar de apito na lateral esquerda.

Reflete, sai
pela lateral


esquerda.



Volta a ser empurrado de volta à cena,
tropeça,
 cai,
se levantas logo,
sacode o pó,

Reflete.

Trinar de apito na lateral esquerda


REFLETE   --   --   --  EEEEEEEE!!!  

              
 Vai até a lateral esquerda,
Para antes de chegar,
Pula para trás, (trexxxxxx)
tropeça, (xiiiiiiiiiiii)
cai, se levanta logo,
sacode o pó, (affff)

reflete

Uma pequena árvore desce até
o chão.
Tem somente um galho a três metros do solo e na parte alta um feixe delgado de palmas, que projetam uma pequena sombra.

O homem continua refletindo.
Trinar de apito do alto.
O  homem se vira e vê a árvore.
Reflete, vai até ela, e senta à sombra, olha para as mãos.
Do teto
desce uma tesoura de alfaiate
que fica imóvel diante da árvore,
 a um metro do solo.
Trinar de apito ao alto.
O homem levanta a cabeça,
vê a tesoura, reflete. Pega-a e começa a cortar as unhas
As palmas se recolhem de encontro ao tronco da árvore, fazendo desaparecer sua sombra.
O homem larga a tesoura. Reflete.
Uma pequena Jarra, munida de um letreiro onde se lê “AGUA” desce e fica imóvel a uns três metros do chão. O homem continua refletindo.
Trinar de apito ao alto.
O homem levanta os olhos e vê a jarra.
Reflete.
Se levanta,
fica embaixo da jarra e tenta inutilmente alcançá-la.




Se afasta.                                                                                                     Reflete.
Um grande cubo
vem do alto
e
a-t-e-r-r-i-z-a.
O homem    continua       a refletir
Trinar de apito ao alto.
O homem vira, vê o cubo, olha-o, olha a jarra. Pega o cubo, coloca-o embaixo da jarra e testa sua estabilidade. Sobe em cima do cubo e tenta inutilmente alcançar a jarra. Desce, leva o cubo ao lugar inicial, se afasta, reflete.
Um novo cubo, menor, desce do alto e                                                                  aterriza.
O homem continua refletindo.
Trinar de apito ao alto.
O homem vira,
vê o segundo cubo,
olha-o leva-o abaixo da jarra
e testa sua estabilidade.
Sobe e tenta sem sossego alcançar a jarra.
Desce e começa a levar o cubo a seu lugar inicial,
 mas de repente muda de ideia.
Deixe-o e vai em busca do cubo maior e coloca-o sobre o menor.   
Testa sua estabilidade.
Sobe.
O cubo grande escorrega e o homem cai,
S
E

levanta logo,
sacode o pó,
reflete.
Pega o cubo pequeno
 e coloca-o perto acima do grande.
Testa novamente sua estabilidade.
Sobe e está prestes a alcançar a jarra,
mas essa se eleva ligeiramente e fica novamente fora de seu alcance.
O homem desce.
Reflete. Leva os cubos DE VOLTA A SEUS LUGARES INICIAIS, um a um.


Afasta-se,


Re – fle -te.


Um terceiro cubo, menor que os anteriores, desce e aterriza
O homem continua a
refletir.
Trinar de apito ao alto.
O homem vira, vê o cubo novo,
 olha-o.
Reflete.
O terceiro cubo sobe e desaparece no alto.
Perto, muito perto de onde está a jarra
 De
S
C
E
 uma corda com nós,             que para a um                                                 metro do chão.
O homem continua a refletir.
Trinar de apito ao alto.
O homem volta-se, vê a corda, reflete.
Trepa pela corda e quando está
a ponto de alcançar a jarra, a corda
se afrouxa e deixa-o no chão.
O homem se afasta. Reflete. Procura com o olhar a tesoura. Avista-a, pega-a e volta para junto da corda.

Começa a cortá-la.
A corda sobe, levando-o, mas ele se agarra
 a ela e acaba de cortá-la. Cai de novo, larga
a tesoura, se levanta logo, sacode o pó, reflete.
A corda se eleva muito rapidamente e desaparece no alto.
Com o pedaço da corda que cortou
o homem
faz um laço e com ele tenta alcançar a jarra.
A jarra
se eleva rapidamente e
 desaparece no alto.
O homem se afasta, reflete.
Vai até a árvore, levando o laço na mão.
Olha o galho.
Volta-se,
olha os cubos.
Olha novamente o galho.
Deixa o laço.
 Dirige-se até os cubos,
pega o pequeno e coloca debaixo do galho.
 Pega o grande e coloca-o também debaixo do galho.
Coloca o grande acima do pequeno,
 mas muda de ideia e coloca o pequeno sobre o grande, testa a estabilidade, como nas vezes anteriores. Olha o galho. Agacha-se para pegar o laço do chão.
Ao mesmo tempo o galho se cola ao tronco.
O homem se levanta, levando o laço na mão, vira-se e se dá conta do ocorrido.



 Se afasta,



 Reflete.
Leva os cubos, um a um, ao seu lugar inicial,
enrola cuidadosamente o laço,
coloca-o acima do cubo menor.
Se                                                    afasta.                                                                Reflete.

Trinir do apito na lateral direita.
Reflete.              Sai pela
direita.
Logo após é empurrado novamente
e volta à cena,
cai,
se levanta,
 sacode o pó.   

Reflete.
Trinir do apito na lateral esquerda.
O homem nãos e mexe.
Olha para as mãos. Busca a tesoura com
 o olhar, a vê, pega-a e começa a cortar as unhas.
Se detem, reflete. Passa um dedo pelo fio da tesoura,
depois limpa-a com lenço.
Coloca a tesoura  o lenço acima do cubo menor,
se volta,
 desabotoa o colarinho da camisa,
apalpa o pescoço.
Então o cubo menor se eleva e desaparece no alto,
 levando consigo o laço,
a tesoura e o lenço.
O homem se volta para pegar a tesoura e nota o ocorrido.
Se senta no cubo grande.
O cubo grande se mexe de improviso,
atirando o homem ao chão,
 elevando-se e desaparecendo
no
 alto.
O homem fica tombado de lado,
de cara ao público
e com vista
                                                                            imóvel.
Então

 a jarrinha desce e para a meio                                                 metro do    homem.
O homem não se mexe.
Trinar do apito ao alto.
O homem não se mexe.
A Jarra desce um pouco mais e
 fica balançando
em frente
ao seu nariz.
O homem não se mexe.
A jarrinha se eleva e desaparece no alto.
O galho da árvore se abre novamente,
as palmas se abrem também
e
 de novo
 projetam sua sombra.
Trinar do apito ao alto.
O homem não                      se                                         mexe.
A árvore
 se eleva
 e |des   -   a  -    PA   --  re   CE|
                                                                  no alto.
O homem olha as
                                                                    mãos.

10 comentários:

  1. é pessoal me adiantei e escrevi o restante do texto, de qualquer forma as proposições ainda podem acontecer, sugiro então uma leitura bem legal e então gravamos, publicamos no youtube e depois colocamos aqui no blog - que tal?

    correeee galeraaa
    que tá ficando massaaa isso aquiiiiiiiiiiiiiiiiii

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  2. Pois é, como não refletir tanta reflexão!

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  3. Olha aí a peça gente!! Agora vamos entrar no texto de corpo inteiro e ter ideias? Lembrem que há uma postagem mais antiga intitulada 'Para entender melhor esse nosso ato sem palavras' que nos leva a um link em inglês que pode ser traduzido. Nele, muitos trechos da peça são interpretados e podem nos ajudar a aprofundar as nossas discussões sobre a sua dramaturgia. Vamos?!

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  4. A idéia da gravação é bem interessante, a voz, ela pode mudar diante das situações e assim poderíamos interpretar a peça de uma forma diferente...cada um da maneira que acha que aquela cena nos cabe e assim lançar no youtube essa gravação...

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  5. Valew!!!! Jean. Ficou muito divertido. Obrigadão!!

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  6. Oi Jean!
    Queria entender melhor sua proposição. Faríamos o vídeo somente de voz, com uma voz? Ou atuaríamos a partir do estímulo da voz?

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Oi Grazziieellaa, olá povo Dance Becket! Viva!! ...A ideia pode e deve se ampliar, é óbvio! Inicialmente pensei em gravarmos o texto, coletivamente ou única voz. Depois ouvir para termos outra forma de leitura, essa, sonora, que certamente afeta outro processo criativo dentro de nós porque o sentido é outro...
    O início do texto escrito por Isabele me traz outra ideia de brincar com voz e texto: enquanto uma única pessoa narra, as outras fazem estímulos vocais: craaazzz, pluft, baccc, afff, rrrrrrxxxxxxxxxxx, etc... Depois disso poderíamos brincar entre corpo e áudio... Agora é preciso cuidar para não cair na representação, mas se assim ocorrer, de qualquer forma, teremos um ganho que é ter compreendido e visto-ouvido o texto de diversas formas, então poderemos ampliar essas impressões e imagens do texto para/nos trabalhos "coreográficos", enquanto partitura para o espetáculo...
    É isso,

    hasta!!!

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  9. Então Jean, na terça, dia 19/10 podemos começar o laboratório de voz utilizando o texto da peça, como você propôs. Mas não na íntegra, pois assim, penso eu, entraríamos no contra senso, afinal é um ato sem palavras!Conversando com vc sobre onde é o nosso lugar: na sala de dança; na barra de exercícios, quando estamos em espaços mais ortodoxos de formação e trabalho me veio entnao a pergunta: Qual a sua lembrança de uma situação de embaraço, quando o seu lugar foi determinado por outros e nnao por você mesmo? Mais ou menos isso!!

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  10. A personagem do drama de Beckett demonstra mais ingenuidade que os macacos, e, diferentemente destes, nunca alcança seu objetivo. A peça mescla sarcasmo e compaixão por nossa frágil e cômica condição humana... a impotência, o depauperamento físico, que é o depauperamento da matéria, a nossa fragilidade.

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